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O que é o 'coaching'?
O coaching corresponde a atuações do líder norteadas por um valor supremo: ajudar os outros a trilharem o seu próprio caminho de autodesenvolvimento. Estamos, portanto, perante de um entendimento da liderança baseado numa relação "adulto-adulto". Já não é ao líder que compete descobrir o que é melhor para os subordinados - isso é algo que compete a cada um deles. Cabe-lhe ajudar cada colaborador a descobrir a forma de expressar melhor os seus talentos. Dois significados do termo coaching ajudam a compreender a sua aplicação ao mundo das organizações: por um lado, coach é o treinador, aquele que ajuda os seus pupilos a desenvolverem as suas capacidades. Por outro, é um meio de transporte, o que explica o processo de autodesenvolvimento como uma viagem de descoberta e melhoria.
O coaching pode ser tomado como um processo que visa fomentar no colaborador o conhecimento de si mesmo e impulsionar o desejo de melhorar ao longo do tempo, bem como a orientação necessária para que a mudança se produza.
Trata-se, portanto, de uma filosofia de liderança que assenta na idéia de que o desenvolvimento e a aquisição de competências são processos contínuos e da responsabilidade de todos, e não apenas episódios limitados no tempo. A lógica do coaching tende a ser privilegiada nas organizações genuinamente focada no aprendizado, nas quais a responsabilidade pelo desenvolvimento é pessoal, embora apoiada pela organização.
Como atua, na prática, um coach na relação com o seu colaborador? Múltiplas ações podem ser consideradas:
- Ajuda-o a aprender - mais do que ensinar;
- Ajuda-o a descobrir as áreas em que o seu potencial de desenvolvimento é maior;
- Ajuda-o a desenvolver a sua inteligência emocional; e a fazer opções, a descobrir e a definir as suas metas; a analisar os erros e os modos de ultrapassá-los;
- Coloca-se ao serviço - não controla;
- Propicia a geração de meios que permita com que o colaborador supere-se a si próprio; dando informações que lhe permita optar e decidir; fazendo uma crítica construtiva, fornecendo feedback;
- Gera orgulho nas realizações e reconhecimento do mérito do colaborador; induzindo-o a aproveitar todo o seu potencial;
- Inspira confiança, monitoriza o seu desempenho, motiva-o, não lhe impõe soluções, não julga, reconhece a independência e a autonomia do colaborador;
- É competente e empenhado; é prudente; respeita-o e é sincero na relação;
- Propõe desafios concretizáveis, assim como sentimentos de segurança; revela abertura de espírito; e é paciente - mas sem perder o norte na pro-atividade.
Em suma, o coaching refere-se a uma categoria de comportamentos baseados em um claro conjunto de valores, que são: o autodesenvolvimento, o respeito e a autonomia. A sua popularidade "explode", não por acaso, num momento em que os elevados níveis de educação dos profissionais tornam desaconselhados os modelos tradicionais de chefia, nos quais um mandava e outro obedecia. O coaching é, nesta perspectiva, mais um sintoma da grande mudança em curso no mundo das empresas que têm no conhecimento o seu recurso principal: organizações complexas com pessoas simples vão dando lugar a organizações simples com pessoas complexas - e capazes de apostar no seu próprio desenvolvimento, com o apoio da organização onde trabalham, para bem do seu emprego atual e da sua empregabilidade futura.
Miguel Pina e Cunha é Diretor de MBA da Universidade Nova de Lisboa
FONTE: http://dn.sapo.pt/2006/o3/24/economia/o_e_o_coaching.html
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