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Empresas devem atentar para DRH
Se bem preparado, setor evita prejuízos e até reclamações trabalhistas
JORGE HERBETH
Da Redação
No mundo moderno com mercado cada vez mais competitivo onde a grande preocupação é com o lucro, um Departamento de Recursos Humanos (DRH) bem estruturado e preparado de empresas e organizações minimniza os riscos de contratações erradas e de manter em seus quadros profissionais que podem não dar a elas o retorno pretendido com essas contratações. Esse desempenho deve ser buscado desde a seleção, para evitar prejuízos e frustrações a curto, médio ou longo prazo.
Um excelente DRH aliado a um bom Departamento de Pessoal (DP) evita prejuízos e até reclamações trabalhistas, além de contribuir para a construção da boa imagem e defesa de uma empresa. Já aquelas sem DRH’s e DP’s competentes e bem estruturados correm sérios riscos de não se manter no mercado, não ter em seus quadros bons ou os melhores profissionais, aqueles que estão acima da média em formação, experiência e conhecimentos, e alcançar o desempenho projetado. Além de evitar demandas trabalhistas indesejáveis, um DRH deve ser a porta de entrada de uma empresa que se preocupa com a imagem, mas principalmente com a gestão moderna e humana de seus profissionais.
Apesar de tudo isso e da evolução da função do gestor de recursos humanos para atuar na área, hoje ainda é possível encontrar verdadeiros 'arranjos' de DRH, com profissionais não habilitados corretamente para a função, o que atrapalha muito mais a empresa do que os outros profissionais que ela venha a contratar.
Para Cynthia Rodrigues de Santa Helena Corrêa, especialista em Gestão em Recursos Humanos, a função essencial de um departamento de RH é valorizar as pessoas. 'O gerenciamento dos recursos humanos nasceu da necessidade de atender às exigências e necessidades das pessoas, dos profissionais, que são o maior patrimônio de uma organização, se uma empresa não tiver pessoal competente, trabalhando de forma legal, se estiver errando, certamente a empresa vai ter problemas', ressalta.
Ela diz que infelizmente ainda há muita confusão entre departamento de RH com o de Pessoal, que é responsável mais pela parte burocrática das empresas, como a folha de pagamento, vale transporte, tudo o que envolve burocracia. Isso ainda acontece porque antes as empresas não davam muita atenção ao funcionário como pessoa.
CONDIÇÕES
Com o desenvolvimento do mercado e a valorização profissional, é necessário cada vez mais dar atenção ao funcionário e oferecer a ele condições cada vez mais favoráveis para o desempenho de suas funções. A empresa precisa oferecer e criar motivação, identificar e resolver conflitos, facilitar maior satisfação para exigir melhor desempenho, avaliar e descobrir habilidades de seus profissionais, para analisar se o retorno de cada um é o que a empresa realmente necessita. 'O Recursos Humanos trabalha com as pessoas em nível geral, desde o recrutamento, a seleção até o acompanhamento integral do funcionário na empresa, visando o retorno que a empresa espera e o desempenho dele, isso pode trazer benefícios ou problemas se o RH não agir corretamente', afirma a especialista.
Cynthia Corrêa diz que um processo seletivo errado pode trazer problemas em curto prazo, como a demissão do profissional não adequado à empresa ou à função para a qual foi selecionado. Isso gera um custo mais alto do que se for feito corretamente, porque a empresa vai precisar novamente de mais tempo para selecionar outras pessoas e acaba sem o retorno imediato que esperava. 'Posso até ter sorte se insistir, se no inicio não oferecer retorno, mas se for uma empresa radical ela demite logo, se for empresa de iniciativa pode investir no treinamento da pessoa para possibilitar que ela desempenhe melhor a função', analisa.
Ela acredita que a médio e longo prazo esse profissional pode dar retorno, mas se isso não ocorrer é o DRH que deve ter toda a responsabilidade em reparar os erros que podem ter sido cometidos desde a admissão daquele profissional. Por isso um DRH deve estar preparado também para trabalhar a motivação profissional. Deve avaliar se a pessoa está ou não ganhando um salário adequado e legal, se está satisfeita com esse salário, se quer que o patrão seja mais companheiro, se precisa de elogios, folgas a mais para ficar com a família ou resolver problemas pessoais graves, se a empresa deve dar mais importância ao ser humano e não apenas ao funcionário.
O DRH também deve se preocupar com a avaliação de desempenho para identificar o que está ou não agradando e verificar os problemas para resolvê-los, além de identificar novos talentos durante treinamentos, para descobrir outras habilidades e competências de seus profissionais para que eles possam desempenhar funções que exijam essas novas habilidades.
Ela diz que a questão dos direitos trabalhistas está mais relacionada ao DP, mas que deveria ser praxe é que todo funcionário conhecesse um pouco sobre horas extras, suas funções, uso de uniforme, vale transporte e alimentação, o que pode ou não fazer como os trabalhos pessoais na empresa, o uso do computador, para que ele tenha real noção de seus deveres e obrigações dentro da empresa. 'Isso evita problemas futuros, um Manual de Integração é importante para que o funcionário não desconheça o que é falta grave, e ocorra demissão por justa causa', recomenda a gestora de RH.
Setor deve ser multidisciplinar para atender à empresa e aos funcionários
Para a psicóloga Amanda Couceiro, gerente de uma empresa especializada em RH, a estrutura de DRH deve ser multidisciplinar para oferecer à empresa e ao empregado atenção como um todo. Ela diz que nem sempre um profissional formado em uma determinada área, como Psicologia, por exemplo, pode ter todas as outras habilidades que a gestão de RH exige para trabalhar problemas emocionais e afetivos. 'Por isso é importante que DRH e DP caminhem sempre juntos', destaca. A psicóloga avalia que é necessária essa atuação para que as duas áreas troquem informações e tenham conhecimentos sobre o que estiver acontecendo na empresa e com o funcionário.
Hoje geralmente quem comanda o RH são administradores, psicólogos, os gestores de RH, curso recente criado há uns cinco anos. Mas é necessário que o DRH tenha em seus quadros técnico em segurança do trabalho, para avaliar os risco na empresa , dos equipamentos, de lesões (LER/Dort), se os equipamentos são adequados para o desempenho de cada uma das funções, e no caso de indústria, quando necessário o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e todos os procedimentos de trabalho.
A gerente Amanda Couceiro afirma que como responsável pela gestão de pessoas, o DRH precisa estimular a satisfação do trabalho na empresa e fazer o acompanhamento, a capacitação e, antes de tudo, a seleção séria e transparente dos recursos humanos, porque isso é que faz a diferença da empresa. 'Infelizmente algumas empresas ainda não têm noção de que se fizer uma seleção errada de recursos humanos, elas terão custo muito alto', alerta. A maioria dos gestores ou administradores de empresas não tem noção do problema quando não valoriza a parte de pessoal. 'Mas até valorizam o RH porque confundem recursos humanos com Departamento de Pessoal, o que é obrigatório em uma empresa', sintetiza.
Muitas empresas não têm RH, mas terceirizam esse trabalho com consultoria. Isso pode diminuir custos para a empresa, porque ela não irá precisar manter profissionais dessa área em seu quadro. Mas só terá lucros se contratar pessoas competentes e mantiver como estratégia projetos voltados paro o desenvolvimento organizacional.
A gerente lembra que o profissional para trabalhar com RH precisa ter formação específica na área. A formação acadêmica na graduação ajuda muito, mais é preciso fazer pós-graduação direcionada para a administração de pessoas, porque o ideal é ter a formação específica nessa área.
A média salarial depende do nível da empresa, da valorização da empresa no mercado, como as multinacionais, as de transporte, onde a faixa salarial está, em média, acima de R$ 3 mil para o gerente de RH.
FONTE: www.orm.com.br
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